quinta-feira, 4 de agosto de 2011
Da gente que eu conheço!
Conheço gente que tem seis nomes e gente que tem dois nomes iguais. Conheço gente que nasceu no dia do ano novo e gente que nasceu dias depois. Conheço gente que não gosta de banana e gente que tira semente de banana. Conheço gente que tem cabelo branco e gente que pinta de roxo. Conheço gente que assiste novela e gente que vive de personagens. Conheço gente que já conheceu o mundo e conheço gente que não fala bom dia no elevador. Conheço gente que não gosta de gente e conheço gente que sofre de solidão. Conheço gente que se matou e deixou bilheta na tela do computador e conheço gente que morreu de dor. Conheço gente que não pode ter filhos e conheço gente que já teve 8. Conheço gente que faz café gostoso e conheço gente que serve café frio. Conheço gente que lê todos os livros do mundo e conheço gente que não sabe ler. Conheço gente que dorme de meia e conheço gente que não consegue dormir. Conheço gente que mora na casa amarela pendurada no muro e conheço gente que mudou para Portugal. Conheço gente que ama demais e conheço gente que nunca andou de barco. Conheço gente que veio de longe e conheço gente que usa lenço na cabeça. Conheço gente que reza baixinho e conheço gente que atravessa a rua sem olhar para os lados. Conheço gente que faz check-up e conheço gente que nunca foi ao dentista. Conheço gente que coloca sal na cerveja e conheço gente que gosta de arroz queimado. Conheço gente que fala 5 línguas e gente que escreve com as duas mãos. Conheço gente que já foi presa e conheço gente que não conhece o pai. Conheço gente que faz regime o tempo todo e gente que não tem geladeira em casa. Conheço gente que nasceu na Sibéria e gente que anda de patins. Conheço gente que joga xadrez e gente que pinta as unhas de azul. Conheço gente que não sabe dirigir e conheço gente que nunca mudou de casa. Conheço gente que cuida de gente e gente que cuida de cães. Conheço gente que já não me conhece e conheço gente que um dia quis conhecer. Conheço gente que já ganhou no bingo e conheço gente que tem medo de bicho de pena. Conheço gente que enfeita vasos com flores e conheço gente que usa óculos. Conheço gente que tem medo do escuro e conheço gente que come os caroços da melancia. Conheço gente que guarda as moedas de um real e conheço gente que dá jiló para o passarinho. Conheço gente que coleciona colheres e conheço gente que joga pilhas no lixo comum. Conheço gente que acredita que a Lua é uma lâmpada e gente que não acredita em Deus. Conheço gente que é deprimida e gente que emagreceu cinquenta quilos. Conheço gente que sabe fazer bolo de duas cores e gente que não toma suco de caju. Conheço gente que não usa roupa amarela e gente que quebrou o dedo mindinho. Conheço gente que nasceu no mesmo dia do filho e conheço gente que não anda de sapatos dentro de casa. Conheço gente que torce para o Corinthians ganhar e conheço gente que pinta os olhos de negro. Conheço gente que tem alergia a lã e gente que tem gato. Conheço gente que adora ouvir Vinícius e gente que não tem um dedo da mão.
sábado, 2 de julho de 2011
Fé é falta de medo!
"Disse Chico Xavier, "Sem boas maneiras, você viverá desamparado da confiança dos outros. Sem fortaleza, sucumbirá aos primeiros obstáculos do caminho. Sem fé positiva, vagueará sem rumo." "Enquanto as boas maneiras no permitem viver em comum acordo com a sociedade, muitos que não as têm também convivem, porém não garantem a confiança, o crédito necessário para viver em paz. Mas até onde isso é válido?, me pergunto. Os meus bons atos, frutos da educação, devem fazer bem principalmente a mim mesma e a confiança do outro deve ser um benefício a mim, ou melhor,ao meu ego. Mas, entendo que quando estamos plenos com nosso eu inteior garantimos a convivência com o mundo lá fora e, ao mesmo tempo, com a turbulência que nos invade, garantindo ora uma força extrema que não se sabe da onde vem e ora a dificuldade em saltar um pequeno obstáculo. É a briga entre a fortaleza e a fragilidade. No entanto, há uma palavrinha monossilábica que pode fazer total diferença: fé. A fé é a nossa garantia de confiança. Certa vez ouvi que 'o significado de fé é a falta do medo', e por ter admitido esta resposta aborvi e sempre tenho esta frase comigo. Quando bate um certo medo, fruto da tal fragilidde, entra o questionamento a respeito de onde está a minha fé e corro a resgatá-la porque descobri que ela tem grande sentido na minha jornada. Sinto hoje que a fé é minha real fortaleza, minha certeza de que os obstáculos serão ultrapassados, as lições ensinadas e a caminhada suavizada.
Nunca me deparei com palavra tão pequena, tão repleta de sentidos e também tema de inúmeras discussões. Em um tempo curto, conversando com uma pessoa aqui e outra ali, tenho certeza que cada um denós terá uma definição fé e também acredito que muita gente acreditqa tê-la, porém um dia pode descobrir que nunca a teve, outros porém podem nunca ter pensado nela, mas num belo momento de lucidez a chama da fé reluz dentro de si. O mais importante é garantir que essa busca seja tranquila e simples, como tudo que é natural pede em silêncio para ser, até mesmo ao contrário do que a socieadade nos ensinou sobre a vida, que pede dinamismo e ousadia. Mas não dá para separar a fé verdadeira, aquela que nos preenche num determinado momento, da vida, que é nosso bem maior.
A busca pela fé deve ser constante e quando encontrada agarrada com força, pois ela sim pode ser nossa maior fortaleza. Sabe por quê? Porque dela vem a confiança e confiando vamos a qualquer lugar, tomamos a melhor atitude, enfim, relizamos sonhos. Através dela, volta-se mais ao Divino, ganha-se amor incondicional, priva-se de feitos negativos e, principalmente, garante-se pensamentos positivos, fruto da confiança. Este círculo magnífico é a verdadeira causa das grandes conquistas pessoasis, com a essência de cada um trazida à tona.
Para terminar, coloco aqui palavras de Fernando Pessoa:
'Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar;
Então acredito Nele,
Então acredito Nele a toda hora,
E a minha vida é toda oração e uma missa,
...E uma comunhnão com os olhos e os ouvidos...'
Precisa dizer mais sobre a existência da fé? Quem ainda não a encontrou, deve correr a sua procura, pois é a personoficação de Deus em nós.
(Samira Chahine)
Nunca me deparei com palavra tão pequena, tão repleta de sentidos e também tema de inúmeras discussões. Em um tempo curto, conversando com uma pessoa aqui e outra ali, tenho certeza que cada um denós terá uma definição fé e também acredito que muita gente acreditqa tê-la, porém um dia pode descobrir que nunca a teve, outros porém podem nunca ter pensado nela, mas num belo momento de lucidez a chama da fé reluz dentro de si. O mais importante é garantir que essa busca seja tranquila e simples, como tudo que é natural pede em silêncio para ser, até mesmo ao contrário do que a socieadade nos ensinou sobre a vida, que pede dinamismo e ousadia. Mas não dá para separar a fé verdadeira, aquela que nos preenche num determinado momento, da vida, que é nosso bem maior.
A busca pela fé deve ser constante e quando encontrada agarrada com força, pois ela sim pode ser nossa maior fortaleza. Sabe por quê? Porque dela vem a confiança e confiando vamos a qualquer lugar, tomamos a melhor atitude, enfim, relizamos sonhos. Através dela, volta-se mais ao Divino, ganha-se amor incondicional, priva-se de feitos negativos e, principalmente, garante-se pensamentos positivos, fruto da confiança. Este círculo magnífico é a verdadeira causa das grandes conquistas pessoasis, com a essência de cada um trazida à tona.
Para terminar, coloco aqui palavras de Fernando Pessoa:
'Mas se Deus é as flores e as árvores
E os montes e sol e o luar;
Então acredito Nele,
Então acredito Nele a toda hora,
E a minha vida é toda oração e uma missa,
...E uma comunhnão com os olhos e os ouvidos...'
Precisa dizer mais sobre a existência da fé? Quem ainda não a encontrou, deve correr a sua procura, pois é a personoficação de Deus em nós.
(Samira Chahine)
terça-feira, 28 de junho de 2011
17 anos de Isabela
foi no dia 13 de junho que sua mãe, enfim, resolveu nos contar que estava grávida.
o susto foi breve, não havia muito tempo para sustos...eram muitas providências práticas a serem tomadas.
e tomamos, na medida do possível e do tempo disponível.
você não estava muito a fim de esperar e nasceu...
depois de meteóricos 15 dias.
acho que estava mesmo era louca para participar daquela bagunça.
tinhas olhos esbugalhados e já tão doces, cabelos pretos e longos e já saiu da maternidade com grandes brincos na orelha...tadinha.
hoje seus segredos não cabem mais no meu colo, nem seus mais de 1, 70 m...mas vou continuar tentando.
te amo demais!
quarta-feira, 15 de junho de 2011
Ponto de Vista
tendo a vista do visível
revejo visões
revisto
invisto no invisível
no indisível de mim
verdades visíveis
visíveis enganos
vistas
vistos
visões
revejo a verdade
refaço o bordado
rebordo
rebordosa
cuido do ponto
do desenhado
inverto o sentido
conto casas, puxo o pano
enrugado
entendo o sentido
de ser sem sentido
encontro sentido em não ter sentido algum
replanejo os planos desfeitos
traço do avesso
avesso do avesso do avesso
sou um ser em construção
rascunho sem sentido de mim
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Tinha quatorze anos - Marta Medeiros
"tinha quatorze anos, insegurança e nenhuma celulite hoje tenho maturidade e um corpo que não alcança minha mente tinha marido, filhos e veraneava numa praia onde chovia hoje bate sol no sobrado em que me escondo tinha cabelos, primos e uma música preferida hoje a surdez me poupa do zumbido dos mosquitos tinha certezas, verdades, princípios, rapazes hoje tenho certeza de que não soube ser capaz o futuro tão ansiado chegou mais cedo do que devia eu sonhava para frente, hoje sonho para trás." (Marta Medeiros)
sexta-feira, 27 de maio de 2011
Yara - quase uma despedida!
Com as cores dos cabelos de Yara se vão os bibelôs que enfeitavam a casa, que nunca teve tempo de ser, verdadeiramente, um lar. Os quadros retirados das paredes deixam marcas claras, assim como deixam marcas as pessoas que um dia estiveram lá e hoje já não estão. São tristes os vazios deixado pela ausência. São tristes os vazios preenchidos pela saudade, pela mágoa, pelo abandono, pelo morrer aos poucos.
Na blusa de tricô caseiro, cor de doce de goiaba, dobrada com perfeição dentro do saco plástico, lacrado com fita, somente cheiro de pó. Cheiro do que foi guardado sem ter sido usado. Como o carinho que a gente guarda e não oferece. O carinho que a gente esconde e nunca põe em uso. Talvez como o carinho tímido e egoísta que a gente sufoca na garganta. Que a gente lacra dentro de sacos plásticos.
Em cada vão de armário que a praticidade vai esvaziando, um pouco do nada triste que sobra em todos os finais. O nada que toma conta de tudo. Por mais que se encha as prateleiras de lenços escoceses, toalhas belgas, cashimiras inglesas, um dia, inevitávelmente elas ficarão vazias. Cheias de nada. Impregnadas do cheiro triste da saudade. Um vazio implacável e mortal.
Assim como a voz de Yara que aos poucos desaparece, desaparecem papéis guardados, amarelados, dobrados. Desaparecem as fotos da infância. Desaparecem segredos guardados em pastas com elástico. Um milhão de receitas nunca executadas. Livros nunca lidos. Desaparecem coloridos quadrinhos de flores. Desaparece a força ds suas mãos. Desaparece, aos poucos, sua vida. Desaparecem as pessoas que já apareciam tão pouco.
Junto com a consciência, desaparece a dor. O sentimento de falta. Já dizia o filósofo moderno, "é impossível viver sem esquecer". Talvez Yara, de forma estratégica, tenha escolhido esta saída para conviver com mágoas e saudades. Finge que não entende, finge que não ouve, finge que não vê. Segue sentada, de olhar perdido e ralinhos cabelos brancos. Sem batom, sem o discreto risco de lápis marrom nas sombrancelhas. Sem exigências ou críticas. Sem óculos. Sem expectativas. Sentada, quieta, olhando o nada que restou.
A "madame" de tailer de lá caramelo, agora uma criança doce, carinhosa, meiga de mãos macias. Pedindo colo, pedindo abraço, proteção.
"O tempo passa,
Não nos diz nada.
Envelhecemos.
Saibamos, quase
Maliciosos,
Sentir-nos ir.
Não vale a pena
Fazer um gesto.
Não se resiste
Ao deus atroz
Que os próprios filhos
Devora sempre.
(...)
Girassóis sempre
Fitando o sol,
Da vida iremos
Tranquilos, tendo
Nem o remorso
De ter vivido.
(Ricardo Reis)
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Regras de Fernando!
Regras da Vida...por Fernando Pessoa:
1. Não tenha opiniões firmes, nem creias demasiadamente no valor de tuas opiniões.
2. Sê tolerante, porque não tens certeza de nada.
3. Não julgues ninguém, porque não vês os motivos, mas sim os atos.
4. Espera o melhor e prepara-te para o pior.
5. Não mates nem estragues, porque não sabes o que é a vida, exceto que é um mistério.
6. Não queiras reformar nada, porque não sabes a que lei as coisas obedecem.
7. Faz por agir como os outros e pensar diferente deles.
quinta-feira, 19 de maio de 2011
quinta-feira, 5 de maio de 2011
Rio
Na Floresta da Tijuca. Feijão Preto. Ondas. Pedras do Arpoador. Manhas. Abraço do Cristo. Redenção. Silhueta do Pão de Açucar. A fala cantada. Pôr do Sol. Vista Chinesa. Jardim Botânico. A Lagoa. Varandas do Copa. Beleza nas bochechas coradas do sol. Copacabana. Calçadão. Quinta da Boa Vista. Bossa Nova. Praia Vermelha. Arcos iluminados. O Bondinho. Ladeiras de Santa Tereza. Drummond. Mangueira. Maracanã. Água de Coco. Gafieira. Tom.
sábado, 30 de abril de 2011
Pregiça de Gente
ANDO COM PREGUIÇA DE GENTE!
(esclarecendo que esta imagem não é minha, surgiu de uma outra pessoa numa conversa nesta semana)
Sei muito pouco, mas o pouco que sei me torna incapaz de, simplesmente, assistir à vida sem ter a seu respeito o mínimo de visão crítica (mesmo que seja a minha visão crítica, totalmente despretenciosa de ser a verdade). Crítica talvez até demais para alguém que comete todos os erros que pessoas normais comentem e mais alguns que pessoas normais não cometem. Entre eles, a falha bíblica de ser humana e de ter contra mim a triste sina do livre arbítrio. Eu erro. O tempo todo. Em gestos, palavras (principalmente palavras), silêncios, sentimentos, avaliações, críticas, mágoas, saudades, cor do esmalte, corte de cabelo e qualquer outro gesto passível de erro. Eu erro. Hoje em dia temos tudo a nosso favor. Acesso irrestrito a um número incontável de fontes, liberdade de opinião, intercâmbio entre as classes, tv por assinatura com 1.300 canais, sebos de livros a 1,99. Há poucos anos assistíamos a sacrifícios de homens em arenas. Há poucos anos queimávamos bruxas em fogueiras. Hoje tudo tornou-se preguiçosamente fácil. Difícil para para deglutir o que nos é apresentado. Melhor repetir frases feitas. Melhor pensar o pensamento de quem já se deu o trabalho de pensar por nós. Mas não foi justamente por este direito que lutamos por tanto tempo? Nos tornamos a geração "Copia e Cola"! "As pessoas têm me dado preguiça". Alguém, muito mais sábio que eu, me disse isso esta semana. Achei genial. Pessoas e seus velhos dramas. Suas vidas tão difíceis na classe econômica. As baixas temperaturas de Paris no outono. Seus planos de carreira. Suas malas de rodinhas. Seus príncipes encantados poliglotas. Budgets, slots, iphones, plrs, fingers food...e tantas outras siglas para não dizer nada. Falar tanto para não dizer nada. Os discursos vazios (talvez como esse texto) têm me dado muita preguiça. Há alguns anos, num "petit comitê" numa apartamento com sofá laranja e um puff feito de um tronco de árvore, ouvi alguém (na época uma atriz do décimos time da Globo) contar que conhecia alguém que só tem 3 amigos. Sim, simples, só tem 3 amigos. Se alguém mais quisesse ser seu amigo teria que esperar uma vaga. Ela defendia a idéia dizendo que é impossível se dedicar a mais de 3 amigos. Pelo menos a dedicação que se espera de um verdadeiro amigo. Hoje em dia começo a dar razão a ela. Pra que colecionar tantos amigos? Precisamos de tantos amigos? Não, eu pelo menos não preciso. Preciso é de verdadeiros amigos. Amigos que não me dêem preguiça! Amigos com quem eu chore, mas também sorria junto. Amigos que não me dêem preguiça! .............................. Não sou de me arriscar em textos longos e polêmicos, mas o número reduzidíssimo de leitores desse blog me permite a liberdade de pensar um pouco aqui...no meio dessa madrugada solitária! terça-feira, 26 de abril de 2011
Luna Clara - Adriana Falcão
e eu que andava tão precisada de um pouco de doçura...
peguei emprestado o presente de Maria (dado pela prima confidente querida)...
............................................................
LUNA CLARA & APOLO ONZE (Adriana Falcão)
"Luna Clara crescia, Odisseia chorava, Divina ria, Aventura esperava, Seu Erudito comprava livros, mais livros e colecionava novas histórias.
Até que resolveu arranjar uma biblioteca para ter onde guardá-las.
Ele estava mais do que convencido de que as histórias ficam em maior segurança nos livros do que na cabeça da gente, por mais dura que ela seja.
Comprou uma casa, um pouco adiante, na mesma rua, e escreveu na porta: Biblioteca Nacional.
Adquiria livros velhos, soprava, limpava, encapava de novo, e eles ficavam novinhos em folha. Aceitava doações. Fazia até negócios internacionais, tanto é que conseguiu importar um exemplar antiquíssimo de Romeu e Julieta, escrito em inglês arcaico, em homenagem a seu falecido avô, Arcaico, o Antigo.
Quanto mais as estantes ficavam cheias, mais tempo Seu Erudito passava na biblioteca.
Até que foi morar lá de vez.
Queria um espaço só seu para receber os amigos.
Os Três Mosqueteiros, por exemplo, fugiam da sua história para fazer uma visita, muito frequentemente.
Depois do almoço, Seu Erudito brincada de "o que é o que é" com Sherlock Holmes. Tinha que admitir, porém, perdia sempre.
Odiava o Coelho Maluco e aquela sua mania de apressar os outros.
Gostava muito de palestrar com Romeu, mas discordava radicalmente das ideias de Julieta, é evidente que aquela história de se fingir de morta não havia de dar certo. Então consolava Frei João, o pobre rapaz que foi levar uma mensagem de Julieta para Romeu, mas não executou o seu serviço por uma dessas coincidências do destino. (Bem na hora que uma moça apareceu na estrada e desviou ua atenção, um amigo de Romeu, muito mais esperto, passou correndo com a mensagem errada, sem que o pobre rapaz visse, e por isso o casal acabou morrendo no fim.)
Logo, seu Erudito virou conselheiro de Cirano de Bergerac.
Jogava futebol com o Corcunda de Notre Dame e basquete com os Hobbits e ai sim, sempre ganhava.
No dia em que apresentou Dona Benta e Obelix , não sabia que estava mudando completamente o final de muitas histórias.
Admirava Sancho Pança, em compensação achava seu chefe um sujeito meio parado. Dom Quixote você é lúcido demais e tenho dito e pronto! - dizia sempre.
O Menino Maluquinho, quando não estava fazendo outras maluquices, sempre passava por lá para azucrinar um pouquinho.
O Conde Drácula bailava, e Penélope tecia, e o Avarento reclamava do cuso de vida, e a Dama e o Vagabundo latiam e ate uma barata que um dia chameou Gregor Samsa, participava da bagunça."
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Coisas fora de lugar
quinta-feira, 17 de março de 2011
Comer, Rezar e Amar
"Ketut prosseguiu explicando que os balineses acreditam que cada um de nós, quando nasce, vem acompanhado de quatro irmãos invisíveis, que vêm ao mundo conosco e que nos protegem durante a vida. Quando a criança está no útero, seus quatro irmãos estão lá com ela, também - são representados pele aplacenta, pelo líquido amniótico, pelo cordão umbilical e pela substância amarela e sebenta que protege a pele do bebê. Quando o bebê nasce, os pais recolhem o máximo possível dessas substâncias externas relacionadas ao nascimento, depositam-nas dentro de um coco vazio e enterram-nas junto à porta da frente da casa da família. Segundo os balinees, esse coco enterrado é o local sgrado de descanso dos quatro irmãos que não nasceram, e esse lugar é cuidado pra semre, como um santuário. Desde que começa a adquirir consciência, a criança aprende que esses quatro irmãos a companham no mundo aonde quer que vá, e que eles sempre cuidarão dela. Os irmãos encarnam as quatro virtudes de que uma pessoa necessita para ter segurança e felicidade na vida: inteligência, amizade, força e (adoro esta) poesia. Os irmaos podem ser chamados a qualquer situação crítica para resgatar e ajudar. Quando você morre, seus quatro irmãos espirituais recolhem sua alma e levam você para o ceu." (Comer, Rezar e Amar) sexta-feira, 11 de março de 2011
Um certo Felipe
53 na porta do corredor escuro,
soluços abafados da mãe inconformada,
mensagem na tela, somente
um breve adeus.
eu mal te conheci,
trocamos poucas palavras,
não percebi nos seus olhos tristes
o olhar disfarçado da despedida.
pra mim não é simples entender
porque alguém desiste de viver!
...................
Felipe,
o dia amanheceu,
pena você não estar mais aqui para ver que lindo sol faz hoje!
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Pro café
oi. passa aqui qualquer tardinha dessas. estou sempre em casa, não saio quase nunca. te boto mesa. estreio aquela toalha chique que ganhei no último dia das mães. te faço um café fresquinho, café de coador de pano, igual da mãe, igual da vó. café com bolinho de chuva. capricho no açucar, na canela e no carinho. abro a cortina da janela da cozinha pro sol bater gostoso no ladrilho e refletir estrelas coloridas na porta da geladeira. mudo as violetinhas de lugar que é pra não queimar as folhas novinhas. te conto as novidades sem importância da minha vida tão sem graça. talvez abra a tampa da caixa das antigas fotos. vamos dar risada e é bem capaz que choremos um pouco também.
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Sentido do sem sentido
junto, para perder.
conquisto para ter saudade.
o constante é a inconstância.
o que dura, é o que eu não consigo prender.
o que importa é o que não tenho.
sempre desejo o que está do outro lado do vidro.
o que existe é o que não existe ainda.
o certo é a dúvida.
minhas respostas são perguntas.
o caos é consolador.
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
Buraco Negro
resumo.
eu sumo.
mergulho.
buraco negro de dentro.
alma amordaçada.
nada urgente a declarar.
viagem pro nada.
cansada.
sem pressa de voltar.
questões práticas me roubam o ar.
amordaçada.
amarrada.
pelada.
nada.
nada urgente a declarar.
calada.
ninguém reclama a presença.
ausência.
ninguém me aguarda no desembarque.
prudência.
alma amordaçada silenciada.
de novo, nada.
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Uma das Marias
maria é grande grande na alma maria sorri mas eu sei que chora como chora maria chora medos chora quieta em segredo frustrações e perdas maria é linda é querida mesmo sendo maria é unica maria usou tamancos foi à pé pé na enchorrada maria seria canhota casou virgem nunca fez planos dá aos outros os presentes que ganha diz "tudo bem" sempre mesmo que não esteja come fruta do conde se queimou com água fervendo maria só teme as baratas sobretudo as voadoras vive para suas mulheres sobretudo por uma delas! dezembro 2009quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
"Mas então a paisagem ficou irreconhecível, e entendi que havia ultrapassado todos os limites anteriores. Já ouvi pessoas descreverem o momento em que o barco abre as velas, o momento em que finalmente se perde a visão da terra. Imagino que a experiência de inquietação misturada com alegria que sempre acompanha a descrição desse momento seja muito semelhante ao que senti no Ford, quando a paisagem em torno ficou estranha para mim. Isso aconteceu logo depois que fiz uma curva e me encontrei em uma estrada que circundava a encosta de uma colina. Dava para sentir o íngreme precipício à minha esquerda, embora não pudesse vê-lo por causa das árvores e da densa folhagem que ladeava a estrada. Fui domado pela sensação de que havia realmente deixado Darlington Hall para trás e devo confessar que senti um ligeiro sobressalto - sensação agravada pela desconfiança de que talvez não estivesse na estrada certa, e sim correndo na direção errada, para algum ermo. Foi só uma sensaçao momentânea, mas me fez reduzir a marcha, E, mesmo depois de ter me certificado de que estava no caminho certo, me vi compelido a parar o carro um momento para fazer um balanço, por assim dizer." terça-feira, 4 de janeiro de 2011
Era abril de 71, os dois espíritos prontos aguardavam na plataforma prontos para a viagem de volta a Terra. Sorriam as alegrias vividas por vidas e vidas. Choravam as tristezas que enfrentaram juntos em tantos momentos...tantos momentos em tantas vidas. Analisavam curiosos o plano do que viria pela frente.Temiam a viagem. Temiam a chegada. Temiam uma impensável separação. De olhos fechados, deram-se as mãos, apertando uma na outra o quanto puderam, buscando um na mão do outro a segurança para aquela aventura. Numa explosão de luz chegaram à Terra ainda unidos pelo aperto de mão. Neste exato mágico momento duas mulheres iluminadas eram amadas sob o mesmo teto ao som das ondas do mar. Foi esse o cenário de amor que saudou a chega dos espíritos de volta a Terra...
...os espíritos deram vida a duas meninas...a primeira chegou no 4º dia de 72 e a segunda, com algumas horas de atraso, no dia seguinte. Das meninas surgiram as mulheres e das mulheres nasceram Antonio e Maria...que hoje brincam de mãos dadas!
Há quem duvide disso?
...os espíritos deram vida a duas meninas...a primeira chegou no 4º dia de 72 e a segunda, com algumas horas de atraso, no dia seguinte. Das meninas surgiram as mulheres e das mulheres nasceram Antonio e Maria...que hoje brincam de mãos dadas!
Há quem duvide disso?
agosto 2007
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
a falta de restaurantes, nos levou a cozinhar juntos.
a falta de música ao vivo, nos embalou em deliciosos flash backs.
a falta da segunda tv, nos juntou no sofá.
a falta da tv a cabo, nos jogou nos livros.
a falta de shoppings, nos levou aos parques.
a falta de shows, nos levou aos museus.
a falta de bares, nos levou a fantásticos happy hours caseiros.
a falta de médicos, nos obrigou a deliciosas massagens.
a falta de camarão, nos obrigou a criatividade de novas receitas.
a falta de presentes, nos forçou a carinhosos abraços.
a falta de planos, nos forçou ao improviso.
a falta de possibilidade, nos trouxe a caridade.
a falta do que dizer, nos deixou confortáveis no silêncio.
a falta de coragem, nos surpreendeu com o carinho.
a falta de aviões, nos fez admirar o arco-íris na estrada.
a falta de outro carro, nos permitiu andar mais tempo juntos.
a falta de estratégias, nos fez viver o momento.
a falta de planos, nos fez reeditar o passado.
a falta de amigos, nos mostrou os verdadeiros.
a falta de ajuda, nos alertou para a verdade.
a falta do supérfulo, nos provou a importância do necessário.
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
eu queria ter um nome interessante,
eu queria ser um ser interessante.
queria ser...
Ana Lúcia e ser flautista.
Margarida e ser zootécnica.
Brígida e ser moradora anônima do Leblon.
Fernanda e ser surfista oxigenada.
Noemia e ser professora de Literatura.
Luana e ser telemarketing.
Stephany e ser a negra da padaria.
Clara e ser avó grisalha.
Berenice e ser psicóloga.
Fabíola e ser hair stilist.
Andréia e ser consultora.
Olga e subir o morro.
Wanda e ser orientadora vocaional.
Sueli e ser poeta triste.
Samara e ter uma tatuagem de dragão.
Marina e fumar maconha.
Eliane e visitar o Nepau.
Janaina e ser a dançarina da roda.
Lourdes Maria e ser artesã.
Inés e ler toda a obra de Pessoa.
Laura e entender Clarice.
Mariana e ser arquiteta.
Gabriela e ser voluntária.
Helena e ser atriz pornô.
Vera e ser arqueóloga.
Regina e trocar chuveiro.
Thereza e ser misteriosa.
Judith e ser mãe de gêmeos.
Débora e ser delegada.
Francine e ser bruxa.
Cláudia e ser inocente.
Sônia e vender pastel.
Cynthia e ser mais eu!
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Existe um portão secreto que une a casa dos meus pais à casa da minha avó. Ele sempre existiu. sempre foi o mesmo. Passou por algumas pinturas mas sua estrutura é original, desde que me conheço por gente.
O tal portão fica no final do muro que une as duas casas, longe da vista de quem olha as casas da rua. Acessível somente aos moradores das casas. Uma espécie de portão da intimidade.
Minha avó, quase aos 90 anos, mas com saúde de ferro, atravessa o portão infinitas vezes ao dia, apressada com tarefas às quais só ela dá urgência e que a mantém viva.
Existe um pequeno degrau no portão, um obstáculo para quem o atravessa. A passagem é estreita e o portão, hoje em dia é branco.
Do lado da casa dos meus pais, o tal portão é a única coisa que dá sentido a um corredor que, depois de várias reformas pelas quais passou a casa, ficou totalmente sem utilidade e também sem saída (nem entrada). Hoje em dia, guardam-se grandes bacias de alumínio nesse corredor.
Do lado da casa da minha avó, ainda o mesmo chão de caquinhos vermelhos, salpicados de algumas poucas pecinhas amarelas. Uma tampa de alguma caixa de água, feita de concreto, que quando a gente pisa faz barulho. É a campainha do portãozinho. A gente sempre sabe quando alguém vai atravessá-lo quando pisa na tal tampa. São os sons secretos das casas.
Quando meu avô morreu, minha avó desesperada correu até o portão para chamar pela ajuda dos meus pais, mas não pôde atravessá-lo, ficou caída no degrau. Como se, atravessar o portão, fosse abandonar pra sempre o amor de uma vida toda.
Naquela madrugada atravessamos o portão inúmeras vezes...carregando a tristeza de lá pra cá...de cá pra lá.
O tal portão fica no final do muro que une as duas casas, longe da vista de quem olha as casas da rua. Acessível somente aos moradores das casas. Uma espécie de portão da intimidade.
Minha avó, quase aos 90 anos, mas com saúde de ferro, atravessa o portão infinitas vezes ao dia, apressada com tarefas às quais só ela dá urgência e que a mantém viva.
Existe um pequeno degrau no portão, um obstáculo para quem o atravessa. A passagem é estreita e o portão, hoje em dia é branco.
Do lado da casa dos meus pais, o tal portão é a única coisa que dá sentido a um corredor que, depois de várias reformas pelas quais passou a casa, ficou totalmente sem utilidade e também sem saída (nem entrada). Hoje em dia, guardam-se grandes bacias de alumínio nesse corredor.
Do lado da casa da minha avó, ainda o mesmo chão de caquinhos vermelhos, salpicados de algumas poucas pecinhas amarelas. Uma tampa de alguma caixa de água, feita de concreto, que quando a gente pisa faz barulho. É a campainha do portãozinho. A gente sempre sabe quando alguém vai atravessá-lo quando pisa na tal tampa. São os sons secretos das casas.
Quando meu avô morreu, minha avó desesperada correu até o portão para chamar pela ajuda dos meus pais, mas não pôde atravessá-lo, ficou caída no degrau. Como se, atravessar o portão, fosse abandonar pra sempre o amor de uma vida toda.
Naquela madrugada atravessamos o portão inúmeras vezes...carregando a tristeza de lá pra cá...de cá pra lá.
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
há alguns dias descobri que posso fotografar momentos sem importância. essa descoberta foi libertadora. agora fotografo tudo para colecionar.
queria ter descoberto isso antes.
gostaria de rever fotos do meu aniversário de 5 anos, quando prendi o dedo na balança do quintal. rever o dia em que fomos buscar a caçula no hospital e choramos juntas achando que papai havia nos abandonado. queria poder rever fotos de nós três empinando pipa nos gramados infinitos da USP. uma foto da ovada que demos no renatinho e que ele chorou. poder me deliciar com as fotos dos nossos passeios ao Playcenter. poder relembrar o desenho da colcha de indinho que tínhamos na nossa cama. rever o feijãozinho, as fofoletes, o trenzinho, os carrinhos de rolemã, o vai-e-vem, os bambolês. fotos tiradas na praia de Bertioga nas nossas férias da infância. queria rever uma foto, que fosse, do saco de laranjas e do Estadão nos almoços na Vila Ida. uma foto daquela mesa barulhenta com o meu padrinho. uma foto dos cachorros da lhô, do quintal de terra e até do galinheiro. dos concurso de dança e dos batizados das bonecas. uma foto da cozinha da sara com sua cortina xadrezinha. mais fotos dos jogos de dominó. das festas de santo antónio e de uma panela cheia de pinhão. uma foto de um natal da minha infância. queria rever a perua azul do tio e nós todos dentro dela. uma foto da antiga casa que não existe mais. uma do cachorro que morreu de barriga d'água porque atacou um rato. do incênio da campainha. de um domingo no parque da previdência. de uma das nossas expedições e do dia em que encontramos com os cães ferrozes. uma foto dos churros da amélia e da piscina de 1000 litros que nos divertia tanto nas tardes das férias. uma foto do morro de terra colorida. queria ter mais fotos da minha turma do pré primário, da minha primeira professora. das experiências com sonrizal que fazíamos na casa do marcelinho. fotos com amigos que se perderam mas que sempre estiveram lá. uma foto do joão mauro. queria ver uma foto da rede de voley estendida na rua. da gente escorregando na rampa da garagem. uma foto da vizinhança sentada na calçada. a criançada pulando na montanha de areia da construção da casa do genuíno. a fachada do bar da dona ana e do seu cachorro chacrinha. queria ter uma foto do meu primeiro namorado. relembrar o primeiro beijo dado no fim da feira, ao lado da barraca de pastel. poder ver uma foto do meu rosto em prantos no dia em que ele partiu para sempre. uma foto minha vestindo minha blusa cigana e meu anel de pedra, quando eu tinha 15 anos. seria delicioso ver uma foto de um bailinho na garagem do carlinhos. dos copos de plástico com refrigerante e da pilha de sanduiches de patê de atum. uma foto com a dona izulina que eu nunca entendi direito quem era, mas que sabia que era muito importante pro meu pai. mais fotos dos bolos da minha mãe. da mesa do café. do pão doce da minha tia que assava por horas e deixava a cozinha cheirando a coco. uma foto dos carrinhos de ferro dos primos. do forte apache. do cachorro que chamava dog e que era feio feito o demônio. queria poder rever os cômodos da minha antiga casa. rever o desenho dos caquinhos vermelhos da cerâmica. da caveira que havia no armário do corredor. as janelas guilhotina. os portões baixinhos. fotos da minha viagem a botucatu. foz do iguaçu. das nossas breves subidas no balão mágico. do macaco que ficava na árvore daquele sítio. das casinhas de boneca. dos finais de semana em ibiúna. queria poder ver mil fotos da barra manteiga, pula pau, corre cotia. nós todos dentro da brasília ou tomando sorvete no wells da panamericana.
com o tempo a gente descobre quais foram realmente os momentos importantes.
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
sobre minha mania de perseguição:
se alguém escreve um post sobre comentários ridículos; os comentários são meus.
se soltam uma circular advertindo sobre faltas e atrasos; é pra mim (apesar de não chegar atrasada e nem faltar nunca).
se falam sobre regime; eu passei de todos os limites.
se minha irmã é problemática; é porque sempre fui certinha demais.
se minha mãe é problemática; é porque fui uma péssima filha.
se meu pai é problemático; é porque deixei minha mãe problemática com os problemas que causei a minha irmã problemática.
se ouço uma busina; fechei alguém.
se acaba a bobina da máquina do VISA; é só comigo.
se tem um guarda na esquina; adivinha quem ele está multando?
se não me retornam a ligação; fiz alguma merda.
se me mandam corrente de oração; por que será que estou precisando de proteção?
tem algo errado comigo!
se me mandam piada; estou mal humorada.
se não gostaram de Cinema Paradiso; estão me chamando de burra.
se não usam vermelho; estão me chamando de puta.
se não gostam de vinho; estão me indicando ao AA.
se alguém escreve um post sobre comentários ridículos; os comentários são meus.
se soltam uma circular advertindo sobre faltas e atrasos; é pra mim (apesar de não chegar atrasada e nem faltar nunca).
se falam sobre regime; eu passei de todos os limites.
se minha irmã é problemática; é porque sempre fui certinha demais.
se minha mãe é problemática; é porque fui uma péssima filha.
se meu pai é problemático; é porque deixei minha mãe problemática com os problemas que causei a minha irmã problemática.
se ouço uma busina; fechei alguém.
se acaba a bobina da máquina do VISA; é só comigo.
se tem um guarda na esquina; adivinha quem ele está multando?
se não me retornam a ligação; fiz alguma merda.
se me mandam corrente de oração; por que será que estou precisando de proteção?
tem algo errado comigo!
se me mandam piada; estou mal humorada.
se não gostaram de Cinema Paradiso; estão me chamando de burra.
se não usam vermelho; estão me chamando de puta.
se não gostam de vinho; estão me indicando ao AA.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.
A realidade
A realidade
Sempre é mais ou menos
Do que nós queremos.
Ricardo Reis, 1-7-1916
o domingo estava esplendoroso...dia lindo!
Levei Maria para desfilar seus cachos no Museu da Língua Portuguesa,
lemos juntas as loucuras de Pessoa e vimos correndo no teto negro
as palavras de Emília dizendo que a vida é uma sequência de piscadelas.
E o que vem depois do último pisco?
O que vem depois é hipótese!
“A vida, Senhor Visconde, é um pisca-pisca. A gente nasce, isto é, começa a piscar. Quem pára de piscar, chegou ao fim, morreu. Piscar é abrir e fechar os olhos – viver é isso. É um dorme-e-acorda, dorme-e-acorda, até que dorme e não acorda mais. A vida das gentes neste mundo, senhor sabugo, é isso. Um rosário de piscadas. Cada pisco é um dia. Pisca e mama. Pisca e anda. Pisca e brinca. Pisca e estuda. Pisca e ama. Pisca e cria filhos. Pisca e geme os reumatismos. Por fim, pisca pela última vez e morre.- E depois que morre – perguntou o Visconde.- Depois que morre, vira hipótese. É ou não é?”
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Uma "menina" de 16 anos...que já nasceu com nome de escritora.
Sempre acho meu comentários, em blog alheios, melhores que meus próprios posts, mas, até hoje, não tinha tido a oportunidade de escrever a célebre frase que já vi tantas vezes por aí:
O COMENTÁRIO QUE VIROU POST:
Casa de Mariah disse...
Gabriela Marques (bom, confesso que já nasceu com o nome certo para ser uma grande escritora. Deve conhecer Gabriel Garcia Marques, imagino.)
Desde a infância eu dizia que, quando tivesse um filho ele se chamaria Vinícius (por causa do poetinha). Quis o destino que eu me casasse com um Moraes (aliás com sobrenome idêntico ao de Vinícius que era, na verdade, de Mello Moraes), aí então eu teria a oportunidade de ter meu "Vinícius de Moraes". Bom, não veio o Vinícius, mas chegou a Maria (Maria Luiza ou Malu), que me encanta diariamente com descobertas inimagináveis.
Procurei um contato seu para te mandar esse comentário por e mail mas não encontrei, então vai por aqui mesmo (um mega comentário gigante....). Lá no meu blog tem meu e mail e também meu Facebook (aquisição recente rs) caso queira me enviar seu contato, vou adorar poder falar com você.
Gabi (o mundo inteiro deve te chamar assim, por que eu seria diferente?), eu tenho uma sobrinha (única, amada, minha afilhada) que também tem 16 anos como você, e pelo convívio que tenho com ela posso dizer que sei, mais ou menos, o que é ser um adolescente nos dias de hoje. Não sei dizer se é melhor ou pior do que era na "minha época" mas, através de um dos comentários que você fez, acho que vocês têm um ponto favorável muito importante: a proximidade dos pais. Meus pais, que são ótimos e amados, fizeram o que puderam para nos dar (a mim e às minhas irmãs) a melhor educação possível, dentro das nossas possibilidades, mas sempre foram meio distantes, muito mais "pais" do que "amigos", assim como tinham sido os pais deles e os pais dos pais deles. Ter o privilégio de ter seu pai lendo blogs com você é absolutamente incrível, talvez você não tenha noção exata dessa importância hoje, mas te garanto, que fará uma diferença muito grande no seu futuro.
Achei engraçado você dizer que "ainda é criança às vezes". Quando eu tinha a sua idade, também me sentia "criança às vezes", hoje me sinto "sempre". Com 16 anos eu achava que sabia de tudo, tinha certeza absoluta de todas as minhas convicções, já tinha meu futuro desenhado num fluxograma perfeito. Ao longo da vida fui acumulando tantas dúvidas e questionamentos que hoje, tenho até dúvidas em relação à pessoa que sou...ou pelo menos de algumas características. Preferindo ser um personagem multifacetado. Um pessoa constantemente aberta a novas possibilidades que a vida me traz....e confesso, sou tão mais feliz desta forma.
É realmente surpreendente esse contato com alguém tão novo quanto você. Você foge do perfil da maioria dos escritores por aqui. É incrível esse encontro de gerações (seu pai provavelmente deve ter a mesma idade que eu - tenho 38 anos) e, esse encontro se dar assim, de forma tão voluntária e agradável.
Bom Gabi, acaba de ganhar uma amiga.
Parabéns menina e olha, um conselho: Leia os clássicos, todos que puder!!!!!
Beijos Mariah
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