segunda-feira, 16 de novembro de 2009

repostagem...
Vida normal. Sem grandes emoções, nem grandes tristezas...não guardo grandes perdas...nem tampouco grandes vitórias. Tudo coube (até então) em 3 diários de papel.
O primeiro viveu numa brochura. A capa eu mesma fiz com papel espelho, que não era espelhado (um dos mistérios da minha infância) mas era cor de rosa. Guardou versos sublimes do alto da sabedoria dos meus 12 anos...guardou também as lágrimas de meus amores impossíveis. Aquele que foi embora, morar a longinqüos 20 kilômetros de distância. Hoje agradeço, se tivesse ficado teria se tornado mais um rosto no bairro como tantos outros rostos. Também teria envelhecido. Casado, separado...nos encontraríamos no sacolão do bairro no final de semana. Você vestindo uma camisa de time, carregando 2 filhos num carrinho de mercado...Tenho certeza: é melhor que tenha ido. Ficou na minha imaginação como um príncipe encantado, um amor impossível. Isso dá muito mais poesia.
O segundo nasceu depois de 20 anos. Na capa um anjo renascentista. Nasceu da necessidade de registrar outras experiências. Nem tão minhas assim. Nasceu num final de semana, de uma estripulia. Este guardou momentos densos - já mais adulto (sem papel espelho cor de rosa) registrou perdas...muitas perdas. Registrou desastres mundiais, crises políticas e conjugais, registrou inícios e fins. Um palito de sorvete, um tichets de cinema, teatro infantil, os primeiros desenhos, alguns recortes de jornal,"A FOLHA DE UM PLÁTANO"...de um final de semana especial. Esse virou uma triste lembrança...suas folhas se espalharam numa estrada...na sua esperança de me arrancar minhas lembranças...em vão...elas continuam comigo. Minha pior lembrança sua. Depois deste dia tudo mudou...o que eu sentia por você se espalhou junto com as folhas ao longo da estrada...sumiu como aquela tão especial "folha do plátano".
O terceiro nasceu desta lembrança. Amarelo. Agora um fichário. Assim posso destacar lembranças que não me fizeram bem...sem prejudicar as outras. Abrir os ganchos e me desfazer das tristezas...deixar somentas as páginas felizes. É uma grande evolução.

sábado, 14 de novembro de 2009

repostagem...
Pela primeira vez, chorei de saudade daquela noite. Muito quente, tínhamos acabado de sofrer nossa primeira separação. Há meses já te sentia me sufocando, em alguns momentos de desespero, quase anciei por aquele momento. Foi uma separação tranqüila, silenciosa. Eu quase inconsciente, você assustada, surpreza e insegura. Assisti deitada, imóvel, seus olhos se afastarem de mim pela primeira vez. Seu choro abafado parecida me pedir socorro, mas eu não podia me mexer. Tanta emoção num momento tão breve. Nosso cordão vital sendo rasgado bruscamente. Após sua partida passei a noite toda sentada na cama, olhando para a porta, meu corpo doía, meio drogada, havia sangue para todo lado. Impaciente e insegura te esperei, sabendo que a qualquer momento você entraria pela porta, já parecendo outra pessoa. Não sabia exatamente o que esperar. Você já respirava por si própria. Minha ansiedade já deixava claro que algo tinha mudado, que a partir daquele momento eu nunca mais poderia ser a mesma pessoa. Já não poderia ser a mesma pessoa sem você. A partir daquela noite, você havia me roubado o direito de pensar em mim antes de pensar em você. Durante tanto tempo fomos uma pessoa só. Trocamos emoções, sangue e oxigêncio. Todo o resto do mundo à margem desta nossa cumplicidade vital e agora, assim, sem sentido nenhum você resolve sair desta relação, me deixando com um vazio imenso dentro de mim. Sua partida deixou em mim uma cicatriz eterna. Cicatriz que me lembrará todos os dias da minha vida do momento da sua partida. Dizem que o amor é um sentimento incondicional. Se, da sua partida dependia sua vida, então nada me restava senão aceitar sua partida. Deixei que você partisse para o mundo, que fosse plantar suas próprias alegrias e incertezas. Descobrir suas próprias verdades, ter suas próprias cicatrizes. Na verdade a cada dia te vejo mais pronta para a vida. Nos seus momentos de medo e anciedade, penso na cicatriz, e desejo te colocar dentro de mim de novo. Desejo te proteger da vida. Nessa momento encorajo seus passos e fico anônima nos bastidores.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

outra repostagem...

Voltei, pra te ver de novo!
Logo após minha saída apressada, grande tristeza me tomou.
Tristeza por ter te deixado sozinha, chorando ao pé da janela.
Quanta indiferença a minha.
Estiquei meu pescoço para tentar espiar o que te machuca neste pedaço de papel.
Talvez uma foto antiga, amarelada, que você desesperadamente tentar iluminar nesta fraca luz que vaza da janela.
O papel parece ter um carimbo postal.
Alguém distante manda notícias?
Alguém distante avisa que não volta mais?
Outro avisa que alguém não existe mais...
Talvez um poema. Talvez uma promessa de amor.
Solidária, tento remexer o baú quase escondido no canto do aposento.
Esperança de encontrar dentro dele o motivo da lágrima iluminada no seu rosto.
Entender o grito de dor que você tenta abafar com o seu xale negro.
O porquê do luto.
Queria poder te apoiar, te confortar.
Impotente, me sentei à sua frente, curvada de tristeza e sofri quieta com você.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

repostagem...

"...Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo..."
"Naquela época" seus sonhos nasciam de pedacinhos de carvão nas tábuas antigas da casa simples...Séculos mais tarde, depois de você e de mim, sangue do seu sangue viaja em papel reciclado e lápis de cor Faber Castel ...
Morde os lábios e aguça o olhar. Cabeça apoiada na mão esquerda (contra a minha vontade, você nasceu destra) numa postura limite entre o cansaço e o devaneio busca as cores dos seus sonhos.
Casas que "não tinham teto, não tinham nada"... "peixes vivendo fora da água fria".
Os Moais da Ilha da Páscoa são registrados a espera de uma conclusão ..."será que foram mesmos os extra terrestres?"Veleiros em alto mar. Estradas com faixas amarelas. Pontes e lagos.
Sol, chuva e arco-íres..."não tem problema né?"...barbatanas e nadadeiras coloridas, sol amarelo com raios cor de laranja, balanço feito de pneu..."p mudo, engraçado"..."gente não devia ter queixo nem nariz...é muito feio", "cor de pele"...todas as peles têm a mesma cor? ... o irmão cada vez mais distante, árvores híbridas dão maçãs e nozes..."são para os esquilos". Ninguém deveria viver sem um lápis cor de rosa...
Outros admiram de longe. Não conseguem nadar nos nossos mares, subir nas nossas montanhas, viajar nos nossos dirigíveis.
Lá estão suas obras de arte, afixadas com imãs na geladeira.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009


18,3 mil foram condenados por tentativa de fuga
302 eram as torres de controle
259 cachorros faziam a guarda
20 bankers
43,1 km era a extensão do muro que separava Berlim Oriental da
Ocidental
14 mil eram os guardas do muro
239 pessoas morreram tentando cruzar os muros
3221 pessoas foram detidas perto do muro
4,2 m era a altura máxima do muro em alguns pontos
28 anos foi o tempo que o muro ficou de pé
5043 foram as tentativas de fuga
8 linhas de trem, 4 de metro, 193 ruas e avenidas eram
interrompiadas pelo muro
155 km era o tamanho do muro que circundava Berlim Ocidental,
isolando-a da Alemanha Oriental

terça-feira, 10 de novembro de 2009


Autor da biografia de Clarice Lispector vai ao ‘Manhattan Connection’

O “Manhattan Connection”, que vai ao ar no domingo, dia 8, recebe Benjamin Moser, colunista da Hapers Magazine e crítico do New York Review of Books. O convidado acaba de lançar “Why This World”, biografia da escritora Clarice Lispector, que deve ser lançada ainda este mês no Brasil.




Para lembrar os 200 anos de Darwin e os 150 anos de publicação
da "Origem das Espécies"
...se ela soubesse subir em árvores, não precisaria ser tão
pescoçuda...
................
fotos da mais nova descoberta: http://fottus.com/

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

ainda na sequência das "repostagens"!







E SE EU MORRESSE AMANHÃ? não, não se anime, não vou me desmanchar num testamento choroso e nobre, cheio de histórias e saudades, não. não seria tão presunçosa assim. vamos a parte prática da coisa, o lado egoísta de quem pensa, as vezes...só as vezes..."como o mundo poderia viver sem mim?".


e se eu morresse amanhã? falecesse, virasse purpirina ou adubo? quanto tempo levariam as providências práticas...por favor me "cremem"...tudo bem, sei que é caro, triste...mas ferre-se...por favor não se atrevam a não respeitar esse (e alguns outros) último pedido. ouvi dizer que só se pode cremar depois de algumas horas, não sei quantas. isso talvez me dê algumas horas para o caso de eu mudar de idéia.


quem será que terá a nobreza de cuidar do que sobrará de mim...espero morrer de uma doença que não me ferre ainda mais meu corpo. quero ser um defunto bonitinho, aquele que quando o povo olha diz (sempre diz)..."olha ... está com um semblante tranqüilo..."


L. estará muito abalado. do jeito que gosta de planejar tudo... vou acabar fedendo. minha mãe nunca se recuperará. minhas irmãs - só contem com elas se for dia de semana, fim de semana, nem pensar...é, vai sobrar para meu pai..."vou de táxi...você sabe..."melhor lembrar de deixar um boleto assinado.


em quanto tempo farão um bazar com minhas roupas e sapatos? espero que M. fique com minhas (pouquíssimas) jóias, meu edredon e minha bonequinha vermelha....só, não quero deixar muita coisa para ela ter que carregar. em quanto tempo sumirão com minhas fotos, para se evitar lembranças tristes? não quero pensar em outros detalhes.


quantas pessoas irão até Itapecerica marcar o ponto ou retribuir visita (que costume estranho esse também)...melhor não arriscar, Itapecerica é longe para caramba pode afetar minha popularidade, me coloquem no Araçá...mais central, com condução fácil e lanchonete do lado.


não gosto de praia nem de montanha o suficiente para uma homenagem, melhor jogar minhas cinzas na higiênica do gato, pelo menos assim minha vida tem que ter servido para alguma coisa.


quem ficará com meu carro? e com o carnê? será que o banco perdoa a dívida? duvido! ferre-se...fiador, se prepare.


quase ninguém sabe do blog...quem sabe então, deixe um comentário avisando...quem sabe uma alma nobre não dedica um post a mim.


tenho médico dia 25, por favor desmarquem...não quero ocupar vaga de ninguém que, com certeza, vai precisar mais que eu.


vou deixar algumas pendências, não tem jeito, por mais que a gente faça sempre sobra algo a fazer. já fiz um monte de coisas da qual me orgulho (agora não me ocorre nenhuma, estranho) e um outro monte (talvez um pouco maior) das quais me envergonho...essas eu conto em detalhes se alguém quiser saber.


a Fontana de Trevi terá que sobreviver sem minha visita. Cristo Redentor também. Não terei tomado café da manhã com a camisa azul do Diogo Mainardi.


para minha lápide deixo algumas opções...democracia até na hora da morte?..."Nada a declarar", "Se eu não estou ao seu lado, alguma coisa deu errado", "Espere até chegar em casa para falar mal de mim"...


sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Apesar de conviver com você há tanto tempo, hoje descubro que sei muito pouco de você.Te culpo pelas conseqüências que hoje carrego de decisões que você não tomou...e também de decisões que você tomou.
Te culpo pelos milhares de cursos que você começou e não concluiu.
Por não falar outro idioma. Ser limitada intelectualmente e ter péssima memória para nomes e datas.
Te culpo por essa insegurança que te faz refém de eternos sins...
para todo mundo, o tempo todo.
Te odeio por você nunca ter tido coragem de pegar um avião sozinha
e passar um dia no Rio de Janeiro.
Te culpo pelas dores de dente que tenho hoje, o motivo?
É óbvio que você sabe qual é.
Te culpo pelo seu senso de humor descalibrado e descabido...
e pela sensação ridícula que você tem de que isso a torna popular. Odeio sua mania irresponsável de abrir sua vida a todos...indiscriminadamente.
Odeio o talento que você adquiriu de conviver com pendências.
Queria que você pudesse pensar, falar e fazer uma coisa de cada
vez...quem sabe as coisas não seriam mais bem feitas.
Odeio sua incapacidade de comer apenas um Bis, um Mentex,
de tomar um café, uma cerveja.
Odeio sua incompatibilidade com a moderação.
Odeio os quilos que você ganhou e hoje sou obrigada a carregar.
Odeio a forma que você provoca e foge de fortes emoções.
Odeio sua postura simpática e polida.
Odeio o fato das pessoas não perceberem
o quanto você pode ser calculista.
Odeio sua mania de organizar a vida em caixas.
Odeio sua incapacidade de esperar.
Odeio a forma como você trata sua família.
Te odeio pelo tempo da minha vida que você perdeu
cuidando de negócios.
Odeio sua incapacidade de alimentar planos a longo prazo.
Te odeio por ter-se deixado apaixonar perdidamente e ter
permitido que isso virasse sua vida de cabeça para baixo.
Odeio ter consciência de que,
apesar de conviver com você a cem mil anos,
sou incapaz de prever seu próximo passo.




terça-feira, 3 de novembro de 2009

quando Bebé era pequenininha adorava ver os "101 Dálmatas".
via e pedia para repetir...de novo, de novo e de novo...
na sequência onde os cãezinhos estão no frio ela pedia para "funcionar"...
e lá íamos correndo apertar o "FF" do controle remoto e acabar logo com o sofrimentos dos pobres cachorrinhos.
êta que eu ando precisando desse botãozinho ultimamente!

terça-feira, 27 de outubro de 2009

SABEDORIA 1
Cada um com seus problemas!
SABEDORIA 2
É impossível fazer um omelete sem quebrar os ovos!

sábado, 24 de outubro de 2009

FUTURO!
24 de outubro de 1988....
esta manhã acordarei com frio na barriga.
sou uma menina romântica de 16 anos.
não vou poder imaginar o que acontecerá nesta noite.
a vida não prepara a gente.
esta tarde será interminável.
vou me preocupar com minha franja,
a espinha que nasceu no meu rosto ontém a noite, meu cheiro, minha voz e meu futuro...sem saber qual será esse futuro.
no início da noite vou te ver de longe.
no meio da multidão.
será que ela também estará na multidão?
vou sumir no mundo com você.
acreditando que só existe nós dois agora.
esta noite vou deixar você falar baixinho no meu ouvido.
vou aceitar o seu convite em silêncio.
vou estender minha mão e simplesmente te seguir.
esta noite vou te seguir até o andar deserto.
vou entrar com você na sala escura sem saber o que irá acontecer.
sem saber que meu futuro terá início nesta sala.
esta noite vou deixar que a irresponsabilidade tome conta de mim.
não vou pensar.
não vou calcular riscos...vou viver este momento como nunca vivi.
esta noite vou te olhar de perto e me deixar abraçar.
esta noite vou beijar o primeiro beijo da minha vida.
esta noite vou perder o controle e me deixar controlar.
sem ensaios.
sem rodeios.
performance perfeita de hormônios juvenis.
esta noite vou estar com o menino que será o homem da minha vida.
vou deixar que ele me beije numa sala de aula escura.
nós dois envoltos em lençois.
esta noite me tornarei a mulher da sua vida.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

não posso viver sem minha "xicrinha" de café pela manhã
não posso viver sem desenhar
não posso viver sem ouvir Alcione
não posso viver sem minhas irmãs
não posso viver sem esmalte vermelho
não posso viver de brisa
não posso viver sem o "google"
não posso viver sem "gnt"
não posso viver sem bota de bico fino
não posso viver sem vinho tinto
não posso viver sem Toquinho
não posso viver sem meu "pilili"
não posso viver sem planejamento
não posso viver reclamando
.......................................................................
dispenso balada puts puts
dispenso manteiga
dispenso esmalte cor de rosa
dispenso encontro de negócios
dispenso coquetel de frutas sem álcool
dispenso calça branca
dispenso pulseiras
dispenso todo tipo de chá
dispenso todo tipo de gente que não tem o que dizer
dispenso bolsa pequena
dispenso exame de rotina
dispenso molho branco e todo tipo de pudim!

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

acho difícil mudar

mudar marca do shampoo

mudar de lado da cama

mudar de amor

mudar a direção

mudar de casa

mudar cor do esmalte

mudar de opinião

para mim

mudar é sempre um problema

terça-feira, 13 de outubro de 2009

é que a vida me roubou o tempo
e a noite me roubou o sono
e as rugas na testa me roubaram o sorriso
mas as ondas me empurraram de cara na areia
areia salgada, mas quase seca
tiro o nariz da água
para enfim...respirar!

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

"Que espírito´pode ser tão vazio e cego a ponto de não entender que o pé é
mais nobre que o sapato, e a pele mais bela que a veste que a cobre?

Michelangelo

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

já fui traída
já fui roubada
já mentiram para mim
já me iludiram
já me decepcionaram
já mudaram de calçada para não me encontrar
já desligaram na minha cara
já me excluíram do MSN
já identificaram meu número
já mandaram dizer que não estavam
já mandaram dizer que estavam em reunião
já colocaram meu nome na boca do sapo
já tiveram inveja de mim
já me amaldiçoaram
já bateram no meu carro
já me chutaram
já me odiaram
já me esqueceram...
E EU SOBREVIVI!
De tudo ficam três coisas:

A certeza de estarmos sempre começando
A certeza de que é preciso continuar
E a certeza de que podemos ser
interrompidos antes de terminarmos.

Portanto:

Faça da interrupção um caminho novo,
da queda um passo de dança,
do medo uma escada,
do sonho uma ponte,
da procura um encontro.

Fernando Sabino

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

educadamente pergunto ao visinho de vaga que chega quase no mesmo instante que
eu:

(eu)- oi, tudo bem?

(ele) - não, não está.

perplexa com a resposta páro com ar de dúvida:

- como???

- vocês bateram no meu carro!

- como????

me dirijo desesperada para avaliar o dano - que pela expressão dele deveria ser
gravíssimo. acompanho-o até o pára choque do veículo e tento descobrir a avaria.
depois de localizar o risco (ridículo) tento argumentar que, apesar da bicicleta
da minha filha estar parada na minha vaga (ao lado da dele) - a vaga fica livre
o dia todo portanto não teria porque ela encostar tanto no carro dele ao parar.

(ele) - o meu carro está parado aqui na garagem há 15 anos - só pode ter sido
aqui que aconteceu.

(eu) - nem estou duvidando da sua palavra, mas você viu o acidente acontecer???

(ele) - não, não vi. mas não vejo outra explicação.

claro que depois disso a conversa descambou para o "barraco geral" e subi para o
apartamento com o choro (de ódio) entalado na garganta.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

numa mesa redonda, 6 executivos discursam longamente sobre as alegrias e
desgraças de seus novos "blackberrys". um deles revela que leva o brinquedinho
para a cama e, que na eventualidade de ser asseadiado por sua esposa, dá
preferência ao novo brinquedo. o mesmo senhor comenta (com falsa naturalidade)
que esteve em um "resort" nos States e que proibiram a entrada do aparelhinho
alegando que seria um local de descanso. a expressão dele era de total pânico ao
relatar que o tinham separado tão brutalmente de seu "bichinho virtual" tudo
isso sob um figurino a la "donald trump".

deslocada, cansada, desolada, equilibrando-me em cima de um maldito
salto agulha, tento driblar a tontura da pré-inanição assistindo
atônita a tudo isso...e enfim chego ao meu limite.
também fantasiada de "gente importantíssima e ocupadíssima" refugio-me no
ambiente meio escuro do restaurante do hotel e ao som de música ao vivo
permito-me ao carpaccio mais caro da minha existência. 3 pedaços de um parmesão
duro, 2 folhas de rúcula e um fundo quase transparente de carne vermelha boiam
nos meus tão riquinhos 56 reais.

cé la vie.

como costume dizer...ainda não tenho dinheiro, mas já estou treinando o comportamento!

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

- mamãe??
- hã!
- comer gasta energia?
- gasta
- respirar gasta?
- gasta
- que mais???
- Maria! Viver gasta energia!

domingo, 23 de agosto de 2009

confirscaram-me lembranças
já não tenho controle sobre todas as memórias que gostaria
remexo fotos e dados e já não me lembro
de ter fotografado ou de ter escrito
não me lembro de ter estado lá
não me perguntaram quais lembranças eu queria despresar
e quais delas eu precisaria manter
arbitrariamente, invadiram minhas memórias
e fizeram uma faxina irresponsável!

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

extraído (ou chupado) do livro...Mania de Explicação de Adriana Falcão




"Dedicatória é quando todo o amor do mundo resolve se exibir
numa só frase:

Filósofo é quem, em vez de ver televisão prefere ficar
pensando pensamentos.


Irritação é um alarme de carro que dispara
bem no meio do seu peito.


Solidão é uma ilha com saudade de barco.


Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança para
acontecer de novo e não consegue.


Lembrança é quando, mesmo sem autorização,
o seu pensamento reapresenta um capítulo.


Autorização é quando a coisa é tão importante que só dizer
"eu deixo" é pouco.
Pouco é menos que metade.
Muito é quando os dedos da mão não são suficientes.
Desespero são dez milhões de fogareiros acesos
dentro da sua cabeça.
Preocupação é uma cola que não deixa o que não aconteceu ainda
sair do seu pensamento.
Ainda é quando a vontade está no meio do caminho.
Vontade é um desejo que cisma que você é a casa dele.
Dificuldade é a parte que vem antes do sucesso.
Sucesso é quando você faz o que sabe fazer
só que todo mundo percebe.
Antes é uma lagarta que ainda não virou borboleta.
Indecisão é quando você sabe muito bem o que quer,
mas acha que devia querer outra coisa.
Certeza é quando a idéia cansa de procurar e pára.
Intuição é quando o seu coração dá um pulinho no futuro e
volta rápido.
Ansiedade é quando faltam cinco minutos sempre
para o que quer que seja.
Raiva é quando o sentimento que mora em você
mostra os dentes.
Tristeza é uma mão gigante que aperta o seu coração.
Alegria é um bloco de carnaval que não liga
se não é fevereiro.
Felicidade é um agora que não tem pressa nenhuma.
Desculpa é uma frase que pretende ser um beijo.
Gostar é quando acontece uma festa de aniversário
no seu peito.
Amor é um gostar que não diminui
de um aniversário para o outro.
Não. Amor é um exagero...
Também não. É um desaforo...
Uma batelada? Um enxame, um dilúvio,
um mundaréu, um insanidade, um destempero, um despropósito,
um descontrole, uma necessidade,
um desapego?
Talvez porque não tivesse sentido,
talvez porque não houvesse explicação,
esse negócio de amor
ela não sabia explicar,
a menina."

sexta-feira, 7 de agosto de 2009


Angústia é um nó muito apertado bem no meio do seu sossego.
.................
do livro mágico de Adriana Falcão - Mania de Explicação - com as ilustrações mágicas de Mariana Massarani.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

...e enfim, as malvadas férias me abandonaram sozinha aqui...na chuva, com a vida real!

sexta-feira, 24 de julho de 2009

"Regalei-me com palavras, sim, palavreas que jorravam da reunião daqueles irmãos campestres, essas palavras que, às vezes, ganham em deleite das coisas da carne. As palavras: escrínios que recolhem uma realidade isolada e metamorfoseiam num momento de antologia, mágicos que mudam a face da realidade embelezando-a com o direito de se tornar memorável, guardada na biblioteca das lembranças. Toda vida só é vida pela osmose da palavras e do fato, em que a primeira reveste o segundo de seu traje de gala. Assim, as palavras de meus amigos de fortuna, aureolando a refeião com uma graça inédita, tinha, quase sem que eu quisesse, constituído a substância do meu festim, e o que eu apreciara com tanta alegria era o verbo e não a carne." (Muriel Barbery)

quinta-feira, 23 de julho de 2009

"Ouve-me com imensa atenção, e aprendo a conhecer nele essa qualidade, rara nos homens de poder, que permite discernir quando termina o aparato, a conversa em que cada uma apenas delimita seu território e manifesta os sinais da sua força, e quando começa o verdadeiro diálogo." (A mote do gourmet -
uriel Barbery)

quarta-feira, 22 de julho de 2009

...e CUNHA é assim:
sobe morro e desce morro,
água de nascente
floresta nativa no quintal
pinheiros e araucárias.
o restaurante fechado porque o
cozinheiro saiu para almoçar fora!
descobri que dá para viver
sem o Raji, celular e Internet.

quem dera a vida fosse festa todo dia,
mas a vida não é.
mas é linda de ser vivida...
e festejada,
todos os dias!

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Choca-me saber que você já tem desejos e cheiros de mulher.
Que você já tem sua cor predileta e não é a que eu escolhi para você.
Choca-me ouvi-la dizendo, com intimidade, nomes de bandas que eu ignoro.
Saber que você sonhas com príncipes e vampiros de fábulas juvenis.
Choca-me saber que você já pode pentear e prender seus cachos sem minha ajuda.
Que seus olhos estão perdendo o formato arredondado da infância.
Fico feliz quando vejo que você ainda roe as unhas.
Choca-me saber que você já mantem segredos e saudades. Que sua dor dói muito mais em mim.
Coleciono, desesperada, seus desenhos na minha cabeceira sob vidro grosso, na tentativa desesperada de prender sua infância perto de mim.