quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Poetinha

Um grande amor...Vinícius de Moraes! Nem sei de onde nasceu este amor...mas é real.
Quem me conhece, conhece a história:
se eu tivesse um filho, ele se chamaria "Vinícius de Moraes".
Ele morreu quando eu tinha 8 anos e sinceramente não me lembro de seu nome ser cultuado na cozinha da minha simples família que era mais chegada num Zeca Pagodinho.
"...que não seja eterno, posto que é chama...mas que seja infinito enquanto dure..."
Esta frase tão comumente usada para "casos de amor" deveria se estender a tudo:
Cada sentimento. Cada momento.
Cada abraço. Cada amizade.
Cada telefonema. Cada saudade.
As presenças e as ausências. As chegadas e as partidas.
Quero chegar ao céu ao som do piano de Tom
e receber das mãos de Viníciius um grande copo de wisky.
A minha geração terá que se contentar com
Toquinho tirando magistralmente os mais inusitados sons da sua viola.
Minha geração terá que assistir conformada a shows de Toquinho e MPB4...
"o pato pateta pintou o caneco...surrou a galinha...bateu no marreco..." quanta brutalidade. Teremos que rir das repetidas histórias de Vinícius, contadas com irritante intimidade por seu mais famoso discípulo vivo.
Vinícius que casou 9 vezes.
Que não se conformou com o amor de pijamas furados.
Amor que paga conta de gás. Amor de dentadura.
Que cria calos. A intimidade irritante de dividir o mesmo banheiro.
Amor que perde a chama.
Vinícius que buscou a vida toda o amor da poesia.
Vinícius que sofreu separações e buscas e com isso alimentou as mais lindas poesias do mundo.
"...mesmo amor que não compensa, é melhor que a solidão..."

terça-feira, 17 de julho de 2007

Alianças

A primeira em 89, prateada e muito fina, mostrava mais aos outros do que a nós mesmos, o nascimento de um compromisso.
Quebrou-se de tão fina. Em seguida veio outra, um pouco mais forte.
A segunda em 95, agora em ouro amarelo, num compromisso festejado com poucos familiares tornava oficial o compromisso, agora de dois jovens mais conscientes.
Em 2003 as duas amarelas unidas por uma branca simbolizava a separação do casal e a união da família.
Esta desapareceu misteriosamente.
A terceira em 2005, em ouro branco, foi pouco usada, simbolizada um laço que ainda se via frouxo...perdeu-se no hemisfério norte...a outra ficou guardada no porta jóias.
Nada significaram num amor que lutava para renascer.
A quarta em 2007, elo mais forte, mais consciente, em ouro branco e amarelo, com um pequeno diamante, simboliza só para nós mesmos o reencontro...neste momento tão particular.
Que esta dure.
Que o tempo não derreta.
Que não desapareça, que não se quebre.

terça-feira, 10 de julho de 2007

Paraty...


A água do mar lava algumas ruas de Paraty ! Idéia de um dos urbanistas portugueses (sério) que ajudou na elaboração do projeto da cidade. A água tem permissão de entrar e levar embora toda a sujeira. As casas de Paraty têm mais portas que janelas...antes eram lojas, armazéns, ferrarias...hoje dá uma gostosa sensação de hospitalidade. Amyr Klink sempre começa ou termina suas viagens em Paraty. Dona Geralda, filha de um portugues beneficiado com o sistema de sesmarias, financiou a construção da igreja da Matriz (a terceira construída, depois de duas anteriores que ficaram pequenas para a população local e foram destruídas). Em troca, teria feito duas exigências: que fosse feita uma homenagem a Nossa Senhora dos Remédios e que os índios - Guaianás - que ajudariam (não voluntariamente) na construção da igreja fossem tratados com carinho. A Santa está lá, já os índios...não encontramos nenhum que pudesse confirmar se a segunda exigência foi atendida. Deixaram que os escravos construíssem também uma igreja para uso próprio (além das que construíam para os brancos) A Igreja Nossa Senhora das Dores. Acabaram caprichando mais na sua própria e hoje é considerada a mais bonita...no teto tem um abacaxi disfarçado...era símbolo da família real: "a fruta coroada" eles não podiam usá-lo também. Algumas fachadas são ornamentadas de pedras amarelas trazidas de Portugal como lastro. Os návios eram construídos para navegarem cheios...na vinda, para manter a estabilidade, enchiam seus porões de pedras...chegando aqui tinham que enfiá-las em algum lugar. O triângulo da Maçonaria está presente nas cantoneiras de pedras nas encruzilhadas.
Em Paraty sorri mais do que chorei, mas chorei. Tomei vinho bom. Usei meu xale preto e minhas botas toc toc toc. Deixei que a água entrasse e lavasse a sujeira. Entendi que para o que não há remédio...remdiado está.

"Pastinha Clarice"

Na prateleira da papelaria escolhi uma pastinha branca com elástico nas pontas. Nesta pastinha vou colar uma etiqueta com seu nome "Clarice" e nela vou guardar, sempre à mão, recortes do primeiro livro seu que li: Aprendendo a Viver.
Nunca se sabe quando a vida vai exigir da gente um pouco de sabedoria...nunca se sabe, na falta de sabedoria própria, vou guardar a sua...na minha pastinha branca, com elástico nas duas pontas, bem segura, que é para não correr o risco de perder sabedoria poir aí.
Segue nos próximos posts, para quem quiser espiar dentro da minha pastinha, os meus recortes...mas cuidado hein...não vai espalhar minha sabedoria emprestada por aí!

ANONIMATO - Clarice Lispector

" Tantos querem a projeção. Sem saber como esta limita a vida. Minha pequena projeção fere o meu pudor. Inclusive o que eu queria dizer já não posso mais. O anonimato é suave como um sonho. Eu estou precisando desse sonho."

ESCREVER - Clarice Lispector

"Não se faz uma frase. A frase nasce."

"Eu disse uma vez que escrever é uma maldição. Não me lembro por que exatamente eu o disse, e com sinceridade. Hoje repito: é uma maldição, mas uma maldição que salva. Não estou me referindo muito a escrever para jornal. Mas escrever aquilo que eventualmente pode se transformar num conto ou num romance. É uma maldição porque obriga e arrasta como um vício penoso do qual é quase impossível se livrar, pois nada o substitui. E é uma salvação."

"Uma coisa que já adivinhava: era preciso tentar escrever sempre, não esperar por um momento melhor porque este simplesmente não vinha. Escrever sempre me foi difícil, embora tivesse partido do que se chama vocação. Vocação é diferente de talento. Pode-se ter vocação e não ter talento, isto é, pode-se ser chamado e não saber como ir."

MÁQUINA ESCREVENDO - Clarice Lispector

" A coisa era branca, muito branca. E, sem cabeça, arfava. Como um pulmão. Assim: para baixo, para cima, para baixo, para cima. A pessoa fechou depressa a geladeira. E li perto ficou, de coração batendo."

AO CORRER DA MÁQUINA I - Clarice Lispector

" O horrível dever é ir até o fim. E sem contar com ninguém. Viver a própria realidade. Descobrir a verdade. E, para sofrer menos, embotar-me um pouco. ...... Há coisas que jamais direi: nem em livros e muito menos em jornal. E não direi a ninguém no mundo. Um homem me disse que no Talmude falam de coisas que a gente não pode contar a muitos, há outras a poucos, e outras a ninguém. Acrescento: não quero contar nem a mim mesma certas coisas. Sinto que sei de umas verdades. Mas não sei se as entenderia mentalmente....... É tão difícil falar, é tão difícil dizer coisas que não podem ser ditas, é tão silencioso. .... Depois eu percebi que para essas pessoas esses momentos de nada valiam, elas estavam ocupadas com outras. Eu estivera só, toda só. é uma dor sem palavra, de tão funda."

BICHOS I - Clarice Lispector

" Ter uma CORUJA nunca me ocorreria. Mas uma amiguinha minha achou por terra na mata de Santa Tereza um filhote de coruja, todo sozinho, à míngua de mãe. Levou-o para casa, aconchegou-o, alimentou-o, dava-lhe murmúrios, terminou descobrindo que ele gostava de carne crua. Quando ficou forte era de se esperar que fugisse imediatamente mas demorou a ir em busca do próprio destino, e de reunir-se aos de sua raça: é que se afeiçoara essa estranha ava à minha amiguinha. Relutou muito, via-se: afastava-se um pouco e logo voltava. Até que num arranco, como se estivesse em luta consigo mesmo, libertou-se voando para as profundezas do mundo."

UM EXPERIÊNCIA - Clarice Lispector

"Talvez seja uma das experiências humanas e animais mais importantes. A de pedir socorro e, por pura bondade e compreensão de outro, o socorro ser dado. Talvez valha a pena ter nascido para que um dia mudamente se implore e mudamente se receba. Eu já pedi socorro. E não me foi negado. Senti-me então como se seu fosse um tigre perigoso com uma flecha cravada na carne, e que estivesse rondando devagar as pessoas medrosas para descobrir quem lhe tiraria a dor. E então uma pessoa tivesse sentido que um tigre ferido é apenas tão perigoso como uma criança. E aproximando-se da fera, sem medo de tocá-la, tivesse arrancado com cuidado a flecha fincada. E o tigre? Não, certas coisas nem pessoas nem animais podem agredever. Então eu, o tigre, dei umas voltas vagarosas em frente à pessoa, hesitei, lambi uma das partes de depois, como não é a palavra o que tem importância, afastei-me silenciosamente."

UM REINO CHEIO DE MISTÉRIOS - Clarice

"... O reino vegetal não tem inteligência e só tem um instinto, o de viver. Talvez essa falta de inteligência e de instintos seja o que nos deixar ficar tanto tempo sentada dentro do reino vegetal."

CONVERSA DESCONTRAÍDA: 1972 - Clarice L.

"... Nestes momentos de 'agora mesmo' estou vivendo tão leve que mal pouso na página, e ninguém me pega porque dou um jeito de escorregar. Tive de aprender."

ESTADO DE GRAÇA - Clarice Lispector

" Também é bom que não venha tantas vezes quanto eu queria. Porque eu poderia me habituar à felicidade - esqueci de dizer que em estado de graça se é muito feliz. Habituar-se à felicidade seria um perigo. ficaríamos mais egoístas, porque as pessoas felizes o são, menos sensíveis à dor humana, não sentiríamos a necessidade de procurar ajudar os que precisam - tudo por termos na graça a compensação e o resumo da vida."

LIÇÃO DE FILHO - Clarice Lispector

"...De surpresa de descobrir uma alma insuspeita, fiquei com os olhos cheios de água, na verdade eu chorava. Percebi que meu filho, quase uma criança, notara, expliquei: estou emocionada, vou tomar um calmante. E ele: - Você não sabe diferenciar emoção de nervosismo? você está tendo uma emoção. Entendi, aceitei, e disse-lhe: - Não vou tomar nenhum calmante. E vivi o que era para ser vivido."

SENSIBILIDADE INTELIGENTE - Clarice Lispector

"E, apesar de admirar a inteligência pura, acho mais importante, para viver e entender os outros, essa sensibilidade inteligente. Inteligentes são quase que a maioria das pessoas que conheço. E sensíveis também, capazes de sentir e de se comover. O que, suponho, eu uso quando escrevo, e nas minhas relações com amigos. é esse tipo de sensibilidade. Uso-a mesmo em ligeiros contatos com pessoas, cuja atmosfera tantas vezes capto imediatamente."

Medo da Eternidade - Clarice Lispector

"Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a eternidade. Quando eu era muito pequena ainda não tinha provado chicles e mesmo em Recife falava-se pouco deles. Eu nem sabia bem que espécie de bala ou de bombom se tratava. Mesmo o dinheiro que eu tinha não dava para comprar: com o mesmo dinheiro eu lucraria não sei quantas balas. Afinal minha irmã juntou dinheiro, comprou e ao sairmos de casa para a escola me explicou: - Tome cuidado para não perder, porque essa bala nunca se acaba. Dura a vida inteira. - Como não acaba? - Parei um instante na rua, perplexa. - Não acaba nunca, e pronto. Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada para o reino de história de príncipes e fadas. Peguei a pequena pastilha cor-de-rosa que representava o elixir do longo prazer, Examinei-a, quase não podia acreditar no milagre. Eu que, como outras crianças, às vezes tirava da boca a bala ainda interira, para chupar depois, só para fazê-la durar mais. E eis-me com aquela coisa cor-de-rosa, de aparência tão inocenter, tornando-se possível o mundo impossível que eu já começara a me dar conta. Com delicadeza, terminei afinal pondo o chicle na boa. - E agora que é que eu faço? - perguntei para não errar no ritual que certamente deveria haver. - Agora chupe o chicle para ir gostando do docinho dele, e só depois que passar o gosto que você começa a mastigar. E aí mastiga a vida inteira. A menos que você perca, eu já perdi vários. Perder a eternidade? Nunca. O adocicado do chicle era bonzinho, não podia dizer que era ótimo. E, ainda perplexa, encaminhávamo-nos para a escola. - Acabou o docinho. E agora? - Agora mastigue para sempre. Assustei-me, não saberia dizer por quê. Comecei a mastigar e em breve tinha na boca aquele puxa-puxa cinzento de borracha que não tinha gosto de nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia contrafeita. Na verdade eu não estava gostando do gosto. E a vantagem de ser bala eterna me enchia de uma espécie de medo, como se tem diante da idéia de eternidade ou de infinito. Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade. Que só me dava era aflição. Enquanto isso, eu mastigava obedientemente, sem parar. Até que não suportei mais, e, atravessando o portão da escola, dei um jeito de o chcile mastigado cair no chão de areia. - Olha só o que me aconteceu! - dizze eu em fingidos espanto e tristeza. - Agora não posso mastigar mais! A bala acabou! - Já lhe disse - repetiu minha irmã - que ela não acaba nunca. Mas a gente às vezes perde. Até de noite a gente por ir mastigando, mas para não engolir no sono a gente prega o chicle na cama. Não fique triste, um dia lhe dou outro, e esse você não perderá. Eu estava envergonhada diante da bondade de minha irmã, envorganhada da mentira que pregava dizendo que o chivle caíra da boca por acaso. Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim."

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Minha história????

Você rasgou nosso diário. Substituiu a foto do nosso porta retrato vermelho. Jogou fora o souvenier da grande viagem da nossa vida. Você destruiu nosso álbum de recordações. Manchou nossa foto. Mandou derreter nossa aliança. Corrigiu os escritos das nossas cartas de amor. Mudou a versão do nosso primeiro encontro. Trocou meu nome. Você escolheu nova trilha sonora. Escolheu outros nomes para nossos filhos. Alterou datas e nomes. Escondeu lugares e fatos. Você misturou verdades e mentiras. Transformou momentos felizes em dúvidas.
Você me roubou minha história!

Você fica com as suas...eu com as minhas!

Também li no Alecrim...avisei que ia guardar...
"E para quem viveu, morrer não é dormir. É outra forma de acordar. Ilusão é fácil, difícil é existir. Perceber-se eterno, nesse conjunto infinito de transitoriedades. Inventores dos nossos sonhos e das nossas realidades. Das nossas verdades. Assim se cresce, caminha. Se há vontade. Senão você fica apenas com as suas. Eu, apenas com as minhas."

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Ímpares

Li no "Alecrim"...

"Produzindo pensamentos libertadores luminosos. Superando tempestades, reerguendo paredes, depois dos terremotos, emergindo de águas profundas. Cantando a canção que vier à alma. Fazendo festas e celebrando superação."


Assustadora revelação de como as coisas podem acontecer. Análise de situações sob outra ótica.

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Além do nosso entendimento

Ontém vi por acaso um filme onde, pasmem, a Jennifer Lopes era traída. A mente humana é perigosa mesmo: por uns instantes cheguei a ficar feliz..."se até ela é, tudo bem eu ser também..."

Hoje ganhei um box com as principais obras de Allan Kardec...um de meus mais novos amigos...quem sabe descubro em outros planos explicações que aqui não estou conseguindo encontrar.

domingo, 3 de junho de 2007

Final de Semana

"Inspiração é Observação" -Ignácio de Loyola Brandão

Neste domingo me atiro a madrugada em busca de respostas. Silenciosa, com os olhos ainda um pouco abatidos pelos últimos acontecimentos, busco na noite, como tantos já buscaram...respostas.
Vou ao Frans em busca de um café. Talvez fume até um cigarro e coma um waffle. Talvez encontre respostas.

VERMELHO


Vermelho é vida. Sangue vivo.
Nas luvas brancas.
No sangue mensal, no sangue fatal.
Da carne e da correção.
Vermelho na alma, que espante o luto.
Vermelho do parto e na queimadura que dói .
Nos olhos verrmelhos de tanto chorar .
Vermelho na boca, na unha, na roupa.
Fita vermelha contra mal olhado
Vermelho no sapato da puta e do Papa.
Vermelho no vestido da Júlia
Meu buquê de rosas vermelhas
Na manta do toureiro.
Vermelho da blusa de gola role que uso hoje .
Do xale de lá feito à mão.
Morangos vermelhos e ônibus londrinos.
Vermelho Mondrian.
Vermelho no extrato bancário.
Na bandeira do Japão.
No sinal vermelho e no molho de macarrão.
Do fruto proibido. No proibido fumar ou estacionar
Da parede vermelha onde correm meus cavalos assinados em vermelho.
Vermelho de raiva.
Do vinho tinto.
Dos cabelos vermelhos de Gilda.
Vermlho da roupa de Noel.
Do índio extinto, do urucum e do piriquiti.
Na bala de canela, vermelho da rosa e do antúrio.
Do nariz do palhaço e da boca da gueixa.
Do dragão e do amuleto, do extintor.
Bule vermelho de ágata.
Vermelho que é cor primária.
De copas e ouro.
Do veludo das cadeiras do parlamento.
Da pimenta e da pitanga.
Da terra vermelha do interior e dos telhados de Ouro Preto.
De Che, Lula e Hitler.
Da fruta do café e do guaraná.
Vermelho do Pau Brasil que um dia existiu.
Da manta do monge.
Da vela de macumba.
De Exu e São Jorge.
Vermelho de tudo que só vermelho poderia ser.
Vermelho do coração!

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Toc Toc




















..."toc toc toc"...o salto das minhas botas pretas nas calçadas silenciosas. Sem saber exatamente onde íam mas seguindo a passos firmes.



Ladeiras sem cansaço, ruas escuras sem medo da violência da cidade, madrugada sem sono ou fadiga. A noite saboreada numa jornada silenciosa para dentro de mim..."toc toc toc"...


O cheiro de rosas a me acarinhar por toda a caminhada me dava a confortável sensação de estar sendo cuidada.


Carregando os cacos que sobraram do nosso amor (obrigada prima) observava os caquinhos que ornamentavam as calçadas..."toc toc toc"...


Cruzei com bêbados e boêmios, desconfiei do comportamento de alguns...muitos desconfiaram do meu....nada diminuía o rítmo das minhas botas pretas..."toc toc toc"...



Eu, nascendo de novo...parto dolorido...na última noite de maio. Casaco de couro, cachecol...e botas pretas ... "toc toc toc"... a me levar.

Na minha lembrança, as noites tristes sempre são frias.

Num bar quase vazio, um cantor, um violão, MPB...desejei entrar, sentar, ouvir a música com uma cerveja....minhas botas não permitiram..."toc toc toc"...

Passei por casas e lojas dormindo de portas fechadas. Ruas em repouso, desertas. Imagens do meu dia a dia num quadro diferente... luz cenográfica, silêncio teatral..."toc toc toc"...

Uma cidade carinhosa a acolher meu momento de reflexão...sem fazer alarde, sem emitir opiniões ou dar conselhos..."Toc toc toc"...


Queria apenas estar quieta. Andando. Pensando. Deixando minhas botas me levarem..."toc toc toc"...

quarta-feira, 30 de maio de 2007

ACRIDOCE



Na cidade, frio. Dentro de mim também.

À noite, Clarice me faz companhia.

Ilumina minha tristeza com a luz do seu saber.

Cada folha virda de "Aprendendo a Viver"

me aproxima mais de Clarice.

Clarice com sua simplicidade complicada.

Clarice sempre terá o sabor "acridoce" deste estranho filme.

Inverno, Insônia, Insegurança...Olhos tristes.

Hoje sou a tartaruga de Clarice:

sem casco nem cabeça, arfando dentro da geladeira.

Ontém virei a última página do meu primeiro caso de amor com Clarice: "Aprendendo a Viver" - agora ela também é um pouco minha (pode morrer de ciúme) e eu sou um pouco dela.

terça-feira, 29 de maio de 2007

Homenagem à "Laura Braga"







..."quando te encontro pega fogo"...
..."no local de sempre"...
..."também estava pensando em você"...
...palavras escritas, registradas para serem lidas...
Olhos cheios de lágrimas e boca seca. Gelo em cada célula viva do meu corpo imóvel.
Agora nada dói, mas vai doer quando o susto passar.
De onde você saiu "Laura Braga"? Qual sua história?
Que caminho você percorreu para chegar até aqui (ou lá)?
Suas verdades vêem à tona. Continuam verdades?
Até os detalhes mais simples são questionados.
A administradora analisa o fato com critério...por uma longa, interminável noite...
fixa o olhar naquelas palavras, como quem analisa os riscos de uma operação.
A mulher, pela primeira vez na vida, não sabe o que fazer, o que falar, o que sentir.
A tormenta me joga de um lado para o outro.
Altas ondas me empurram para o fundo.
Ainda tenho forças para voltar à tona....por quanto tempo?
Odeio fantasia de vítima. Odeio olhar caído. Suspiros e lamentações.
Penso na minha própria história e revejo meus "certos" e "errados"...
Ninguém merece sofrer assim!
Agora vou agir como agiria uma esposa do século passado:
FECHAR OS OLHOS ... E TOCAR O BARCO"
Esse post acaba aqui...não consigo escrever de olhos fechados.

sexta-feira, 18 de maio de 2007

ORGANOGRAMA

Caixinhas, traços, níveis, assessores, subordinados. Estrutura horizontal ou verticalizada. Gestão democrática. Talentos pessoais ou viabilidade econômica. Mais nomes que caixinhas. Marujos agarrados aos mastros. Homem ao mar. Planilhas. Planos de cargos e salários. Pessoas, famílias, sonhos...

Novamente...eu e mais uma FUSÃO. Olhares buscando no meu respostas que eu não tenho. Vidas por trás de crachás. Histórias e sonhos que não cabem nas "caixinhas".

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Reunidos?

Reunidos em volta da mesa da cozinha de azulejos cor de laranja. Entre um e outro, abismos. Escondidos pela névoa inebriante da constante euforia que nos cega, segredos...muitos segredos. Calados por risos automáticos, lágrimas...muitas lágrimas. E vamos ficando nós todos...sorrindo cenograficamente!

sábado, 5 de maio de 2007

Reticências...


"Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
O termo no plural Reticências refere-se, na escrita, à sequência de três pontos (sinal gráfico:...) no final, no início ou no meio de uma frase. A utilização deste género de pontuação indica um pensamento ou ideia que ficou por terminar e que transmite, por parte de quem exprime esse conteúdo, reticência, omissão de algo que podia ser escrito, mas que não o é."
Mariah escreve como fala. Fala como escreve. Tanto faz. Fato: usa muitas, muitas, muitas reticências. Na última noite Mariah não dormiu. Entre outros, esse foi um de seus pensamentos...
Aqui, Mariah não mente nunca. Nem para ela mesma. Vem daí a tranqüilidade com que se despe do falso manto intelectual, expôe seus "porquês"...e "não saberes". Quase ninguém a lê...e entre os que lê, "quase" ninguém a conhece.
Mariah vai dexando pensamentos, idéias, comentários...cursos, amores, livros, desenhos e bordados por terminar. Uma vida pontuada por reticências...Suas sentenças quase nunca têm ponto final. Exclamação, jamais! Seria conclusivo demais...responsabilidade demais. Talvez a única concorrência que a reticência sofra na vida de Mariah, seja da interrogação.
Mariah tem dúvidas. Faltam algumas respotas e algumas das respostas não convencem. O cansaço de tantas perguntas sem resposta, acabou por acomodar Mariah numa vida de reticências.

Mariah foge de responsabilidades (como dizia querido amigo W)...mas elas sempre são mais rápidas. Toma decisões o dia todo...Se a platéia pudessem enxergar por baixo do seu terninho preto básico, veria muitas reticências... ... ...

Harmonia




"Não se precipite. Pense muito bem antes de falar em separação.


Muitos se casam sem saber que o casamento não é só a junção de duas pessoas sob um mesmo teto, mas a construção de uma nova vida, a dois, e que isso pode significar a necessidade de abrir mão de hábitos e projetos individuais. Tal demanda às vezes causa frustrações e brigas. Quem não tem força para superá-las e evoluir acaba fugindo do jogo antes de conhecer suas regras.



Nas últimas décadas, temos testemunhado uma espécie de banalização da experiência conjugal. É cada vez maior o número de casamentos que são rapidamente desfeitos. Sem muito pensar, os parceiros dizem: "Vamos nos separar". Na verdade é como se estivessem dizendo: "Assim não brinco mais!" E acabam se separando mesmo, sem refletir sobre as causas da insatisfação. Acontece que um casamento não é uma brincadeira e não se pode simplesmente botar a bola embaixo do braço e sair de campo. Ou, pelo menos, não parece sensato fazer isso de forma irrefletida, uma vez que a união foi desejada. Numa perspectiva sensata e adulta, a questão que se coloca é: no que está pensando um casal (ou uma de suas partes) quando diz que quer separar-se? O que se esconde por trás desse "não brinco mais?". Talvez a intenção seja preservar as individualidades, engolidas pelos papéis associados ao casamento. Talvez a proposta radical só mascare um protesto, uma queixa, ou expresse desejos pessoais, demandas que não requerem, de modo algum, rompimento.
Construir um casamento não é tarefa fácil. Exige a revisão de valores e a renúncia a expectativas, hábitos, crenças, projetos, desejos e até esperanças. Isso não significa que essas dimensões serão levadas à extinção, tampouco que uma parte deva se anular diante das necessidades e demandas da outra. Mas significa que a união conjugal é um ponto zero a partir do qual se estabelecem novos costumes, intentos, planos e ideais de felicidade. Para empregar um jargão psicológico, o casamento não é a soma de duas individualidades, mas um terceiro fenômeno, que transcende, supera e se diferencia da mera colagem dessas individualidades, para alcançar um feito novo: a vida a dois. Vida a dois é diferente da vida de uma mais um, mas muitas pessoas entram no casamento movidas pela ingênua crença de que apenas somarão duas peculiaridades. Ou casam-se apoiadas na suposição de que o casamento é a preservação de um - um só - acrescido de um apêndice, uma espécie de upgrade. Adquire-se um marido ou uma esposa como se compra uma coisa utilitária qualquer, que deverá simplesmente se ajustar àquilo que já está pronto, ou seja: a própria indivualidade, o próprio modo de ser, os próprios hábitos e valores.
O tal "não brinco mais", mascarado de "quero me separar", em geral expressa o ressentimento pela vivência da perda de uma condição idealizada, em que o parceiro é almejado como um adereço, sem que se tenha de renunciar a nada, sacrificar nada, aprender nada e, não menos importante, sem que a pessoa se disponha a evoluir. A experiência dessa perda é, de fato, penosa. Poucas pessoas se preparam para vivê-la, por não compreenderem o significado do casamento. Imaginam uma coisa e, quando chegam lá, é outra.
No entanto, é bom advertir: todos os casais passam por frustrações e decepções, além de experimentarem enorme demanda por transformações pessoais. Todos, não apenas aqueles que chegam à separação. A frustração é inerente à empreitada conjugal - e sem ela não existem crescimento, evolução e transformação.
Bem sucedidos são os casamentos que sobrevivem à perda da imagem idealizada de que uma união é feita somente de harmonia.
Sejamos otimistas, porém também sensatos: basta que os pretendentes saibam que a tão desejada harmonia é um ponto ao qual se chega, que se constrói, raramente se apresentando como um ponto de partida. Mesmo quando presente desde o início, a harmonia há de ser descontruída em favor da edificação de uma configuração melhor e mais madura.
Na mitologia grega, Harmonia é filha de Afrodite e de Ares, ou seja, resulta do encontro do amor com a guerra. Se quisermos ser dispensados da segunda, dificilmente teremos conhecido a fundo a primeira."


*Alberto Lima, psicoterapeuta de orientação junguiana, é professor-doutor em Psicologia Clínica e autor de O Pai e a Psique (Editora Paulus).


Dia desses, amiga minha, após 4 meses de casada, me liga falando em separação. Em seguida, na sala de espera do dentista li este texto, recortei, mandei para ela. Que ela seja feliz! E eu também!

quinta-feira, 3 de maio de 2007

Pendurando os quadros



Páginas amareladas de jornais antigos. Folhas rasgadas despindo um passado recente. Momentos aprisionados em pacotes lacrados com fita crepe. Datas históricas. Retratos antigos, cavalos em corrida, casinhas coloridas, canais, desenhos em carvão e pastel...molduras envelhecidas, pontos de mofo, vidros anti-reflexo. Os últimos pacotes remanescentes de uma época. Últimas folhas de um capítulo desta vida. Últimos fósseis de uma era vivida. Um desafio a mim mesma, assim como desligar o telefone que me ligava ao passado. Protesto contra a demasiada importância que ainda dou àquele episódio. Protesto contra sonhos que insistem em se repetir. Protesto contra sabotagens do meu subconsciente. Um herói imortalizado pela história. Agora você deixa de ser Saudade para se tornar Lembrança.
"Eu juro não que sempre te amarei, mas que sempre permanecerei fiel a esse amor que vivemos"